segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Morre o Femen Brasil

Sara Winter, ex-líder do Femen Brasil, detida em Brasilia. em
incidente anterior.
Aqueles envolvidos com o tema já devem estar cientes: a filial Brasileira do Femen não existe mais. Por razão de conflitos do movimento de raiz ucraniana com a organizadora brasileira do Femen, Sara Winter. Por ora fica indefinido o que acontecerá com o movimento conhecido por protestos polêmicos e ousados, quando não obscenos, e também o destino da organizadora ainda mais polêmica.

“Gostaria de dizer algo que imagino seja novo para vocês. Não temos mais Femen Brazil. A pessoa que nos representava, Sara Winter, e que tem sua própria conta no Facebook, o Femen Brazil, não faz parte do nosso grupo. Tivemos muitos problemas com ela. Ela não está pronta para ser líder. É uma pena, mas essa decisão faz parte do nosso crescimento como movimento honesto. O Femen Brazil não nos representa” disse uma das fundadoras do movimento, Alexandra Shevchenko, ao jornal Zero Hora. O fim da célula brasileira do Femen foi confirmada ao jornal pela Sara Winter. 

E isso encerra a história em si;  enquanto o Femen diz que vai procurar outra pessoa para retomar as atividades no Brasil. Sara diz que vai continuar com os protestos, mesmo sem o nome, e alega que as ucrânianas eram autoritárias e exigiam ações absurdas, e que sua saída se deve em parte ao preconceito das fundadoras. Mas isso não vem ao caso. O que vem é: E o que isso significa?

Se me perguntar - e sei que isso vai parecer homem querendo cagar regra no feminismo - Winter já vai tarde. Não apenas os protestos do Femen estavam longe de serem os mais... estrategicamente bem pensados, mas ele foi bastante criticado pelos outros movimentos feministas do Brasil (e do mundo) - que não poucas vezes fizeram questão de afirmar que o Femem não os representava. O grupo beirava a caricatura machista do feminismo em certos pontos - o que levou a revelação de que o Femen teria sido criado por um homem - que chama as militantes de "vadias" - a vir sem surpresa alguma

O grupo tem problemas em representar a pluraridade; é considerado por muitos como transfóbico, religiosamente intolerante (em especial islamofóbico), neo-colonialista, racista, e ironicamente, altamente misógino; sob a organização de Sara Winter, teria pelas terras tupiniquins vetado a participação à "mulheres acima do peso", segundo denúncia de uma ex-militante. Pelo mundo, não são poucas as críticas que questionam a prática do "enche de mulher dentro do padrão de beleza nuas para chamar a atenção", metodologia similar a adotada pela igualmente escandalosa ONG Peta; no reino unido, a página da entidade era administrada por um neonazista. 

E quanto a Winter... a jovem é um imã de polêmicas: envolvida com movimentos neonazistas e financiada até certo ponto por um candidato do defunto PMN (embora jurasse que tanto ela quanto o movimento eram "àpolíticos"), Winter é desde sempre uma figura polêmica. A começar pelo uso do nome de uma espiã nazista como sua persona em protestos e online. Embora ela tenha se desculpado e "desmentido" os pontos polêmicos, é difícil acreditar na inocência de alguém que traz tatuada a cruz de ferro, apoia movimentos nacionalistas e usa o nome de uma espiã nazista. 

Em suma, o Femen é muito bom em chamar a atenção, mas é difícil dizer se produz resultados. O que me parece, e me perdoem se estiver sendo precipitado, é que o principal feito do movimento era dar munição para machistas e conservadores deslegitimizarem todo o feminismo, generalizando toda uma gama de movimentos a partir de um pequeno grupo radical, escandaloso e exagerado. Agora, é só uma questão de tempo até que arranjem outra líder, e que Winter arranje outro grupo. Mas ao menos a combinação desses dois fatores.. problemáticos chegou ao fim. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário